sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

BAIRRO DO GRAMADÃO

Sea Mist

O antigo Posto de Saúde do Bairro
Assentado às margens da Rodovia SP 127, a rodovia do Mercosul, o Bairro do Gramadão, hoje Distrito, fica a 20 quilômetros do centro de São Miguel. Antigamente denominado Bairro do Turvo, depois dos Colaças (ou das Calaças), foi na década de 70 que recebeu o nome de Gramadão.
Tem Nossa Senhora Aparecida como padroeira do lugar. 
Localizado na rota de tropeiros que vinham de Viamão, foi justamente fundado pelos casais gaúchos Vicente Antonio Vieira, seu primo Antonio Vieira e duas primas, que saindo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, de e quase de relance escolheram terras são-miguelenses para construir seu futuro.
Foram os primeiros povoadores do lugar, já que seus filhos se casaram entre si.
Com o tempo, Vicente, também chamado Vicente Calaça, conseguiu desbravar algumas terras pegadas ao Rio do Turvo, mais ou menos seiscentos alqueires, tornando-se proprietário delas no seu sítio então denominado Turvo dos Colaças (ou Calaças), para diferenciar do Turvo dos Almeidas, que pertencia a Capão Bonito.
Em 1.928, com a antiga nomenclatura foi que o jornal ‘Tribuna Popular’, de Itapetininga noticiou que os lavradores Pedro Paulo e Antonio M. de Almeida fizeram o donativo de 24 contos de réis ao Asilo de São Lázaro da cidade de Itapetininga, que também atendia pessoas de São Miguel Arcanjo. 
Quando ainda era chamado Turvo, dois conhecidos comerciantes ali possuíam seus empórios, o Alcides Mendes da Silva e o Avelino Antonio Vieira.
As famílias que escolheram o lugarejo para viver, continuaram sempre unidas, tanto que um filho de Vicente, o José Boaventura Vieira veio a casar-se com a filha de Antonio, Maria Elisiária Vieira, e com ela teve oito filhos.
Quando ali se instalou a primeira escola, foi numa sala anexada à enorme residência de Vicente Calaça que as aulas eram dadas. O governo pagava um aluguel. Na época da revolução de 32, sua casa também acabou sendo utilizada pelos soldados, para tratar dos feridos.
Ali havia pasto bom para gado e outras criações. Tanto que os grandes proprietários e criadores de gado como Zacarias Baltazar de Souza, João Gustavo, Leonildo Boaventura Vieira, Pedro Baltazar de Souza, Joaquim Júlio de Almeida, José Baltazar de Souza, Avelino Antonio Vieira, Antonio Vieira, Elvira Prestes de Albuquerque e outros tiveram muito sucesso.



Grandes comerciantes, que ali mantiveram seus armazéns de secos e molhados por longo tempo, o Juracy Albuquerque Medeiros, o Alcides Mendes da Silva e o Antonio Vieira, além de ‘Rose Lãs e Linhas’, na Rua Joaquim Júlio, 75; Célio Auto Mecânica na Rua Abílio Junqueira, 210; Luiz Carlos de Chaves com conserto de radiadores à Rua José Antonio Vieira,136; Borracharia Chitão, do Dilmo Arcaro da Costa, à Rua Avelino Antonio Vieira, 319; Casa do Sitiante, à Rua Avelino Antonio Vieira, 219; Eletrônica Inácio, no 297 da mesma rua. No bairro tem lanchonete e Churrascaria. O Hotel e Motel Gramadão em 1.997 pertencia ao ‘Alemão’, Nervásio Francisco Dalmas.
No ano de 1.996, Gramadão foi manchete de jornal na região. 
A reportagem noticiava que o bairro queria emancipar-se do município-mãe, juntamente com Pocinho, Turvo dos Hilários e Bairro dos Almeidas, este pertencente a Capão Bonito. 
Um dos cabeças do movimento foi o vereador Jair Martinez. Não deu certo.
O primeiro loteamento no Bairro foi feito por Leonildo Boaventura Vieira no ano de 1.975. 
O segundo por Luis Júlio de Almeida. Leonildo foi quem doou um terreno para construção da primeira escola que após 1.984 recebeu o nome de ‘José Baltazar de Souza’, justa homenagem a alguém que prezava muito e colaborou imensamente com o bairro e que, juntamente com a filha, no mês de março de 1.984, sofreu acidente automobilístico vindo a falecer.
A primeira igreja fundada no bairro foi a Presbiteriana Independente, no dia 24 de maio de 1.930. 
Também lá já se instalaram a Assembléia de Deus e a Filadélfia.
No início dos anos 80 é que a Igreja Católica da padroeira Nossa Senhora Aparecida, foi construída. No ano de 1.995, essa igreja foi assaltada. Os ladrões levaram 3 microondas, um rádio toca fitas e um amplificador de som.
O primeiro ponto de táxi foi criado pelo decreto 68, de 27 de novembro de 1.998, na Rua Avelino Antonio Vieira, entre os números 249 e 257.
O Centro Comunitário ‘Leonardo Antonio Vieira- Cidadão Emérito’ localiza-se na Avenida José Boaventura Vieira, 449.
Foi assim designado por força da lei 2.279, de 09 de maio de 2.000Pelo decreto 26, de 07 de junho de 1.993, foi construida a Caixa d’água pela Sabesp em terreno com 339,05 m2, desapropriado a José Airton de Lima e Luiz Francisco de Lima Neto.
Pela portaria 52, de 08 de junho de 1.993, o terreno onde foi construído o prédio escolar foi desapropriado a Valdemar Fermino Celestino e Hélio Brisola, sendo 400 m2 de cada um, no Jardim Júlio. A construção teve início em 1.997 e no ano seguinte já estava inaugurada com o nome de ‘José Baltazar de Souza’, com dois pavimentos.
O Posto de Saúde foi inaugurado em setembro de 1.996 com uma área de 150 m2 e recebeu o nome de ‘Célia Aparecida Vieira’. Ela era agente de saúde e sofreu trágico desaparecimento.
A praça em frente à Igreja foi inaugurada em agosto de 1.996. Vitalino Rodrigues, vice presidente da Igreja Católica, esteve na inauguração.
O que mais impulsionou o crescimento do bairro foi a instalação do Posto de gasolina, iniciativa de Iones Miranda, Gabriel Martinez e Winson Pensa.
No ano de 1.998 lá foi criado o ponto de taxi com duas vagas. O decreto: número 68, de 27 de novembro.
No ano de 2.000, havia no bairro 751 eleitores.
No dia 02 de junho de 2.005 foi entregue a obra de asfaltamento da Avenida José Boaventura Vieira. Nesse dia, estiveram lá, além do prefeito Antonio Celso Mossin, os secretários, os chefes de Departamentos e as equipes de trabalho ouvindo os reclamos e as sugestões dos moradores.
O valor da obra foi de 135 mil reais e englobou serviços de:
guias, sarjetas e pavimentação asfáltica, compreendendo os trechos entre a Rua Avelino Antonio Vieira e Rua Cônego Francisco Ribeiro, totalizando 120 metros lineares de guias e sarjetas e 370 metros de pavimentação asfáltica. 
Nesse mesmo ano, a Escola "José Baltazar de Souza" recebeu todo o equipamento necessário para a instalação de uma padaria, através do Programa "Escola da Família".
Roseli Martinez Proença Dias, uma sorocabana que nasceu no dia 04 de novembro de 1.952, casada, com formação em Técnicas de Enfermagem, e que escolheu o Bairro para viver e trabalhar, foi a primeira mulher de lá que se tornou vereadora no município de São Miguel Arcanjo.



Publicidades na década de 70:














Recentemente, pudemos ver estas matérias na Internet:
1. " Sr. Leonildo, qual a origem do bairro do Gramadão?
- " Bem, vou contar pra vocês um breve resumo de tudo que aconteceu. 
Estas terras faziam parte de uma Sesmaria que havia sido comprada pelo meu avô Vicente Calaça. 
Passado tempo, passou a ser conhecido por Turvo dos Calaças. Quando eu tinha por volta de 13 anos eu estava neste mesmo local, hoje rua Rev. Abílio de Oliveira Junqueira e aqui havia uma raia para cavalos que ia daqui até a Igreja Presbiteriana Independente. 
Eu estava aqui em frente e ouvi uma Voz que me disse: "Faça uma cidade aqui.". 
Eu, naquele momento, fiquei sem ação porque não havia ninguém no local, mas, eu ouvi aquela Voz. 
Na hora não acreditei, e a voz falou de novo. 
Então entendi que era a Voz de Deus e fiquei com aquilo na cabeça. 
Muitos anos depois, já casado e com filhos, na década de 70, eu comentei com meu filho mais velho, que tinha resolvido fazer uma cidade e ele até duvidou da minha sanidade mental, na época. 
Muitas pessoas achavam uma loucura o que eu estava falando e mesmo contra a vontade de todos resolvi fazer o que Deus havia me dito: fazer uma cidade neste local e então arranjei um ajudante, comprei uma trena de 30 metros e, com um monte de pontaletes de pau, fui demarcando tudo por aqui, na fé, que isso aqui um dia seria uma cidade. 
Tive enormes dificuldades, mas a aceitação foi enorme e vendi muitos lotes em muito pouco tempo. 
Pessoas compraram, também pela Fé, confiando que aqui seria um bairro próspero. 
Perdi muito, financeiramente, mas sou um homem feliz hoje por ter cumprido aquilo que aquela Voz me pediu. 
Hoje estou preparado para que Deus cumpra o que tem reservado para mim, não tenho medo da morte. 
Estou preparado. 
No entanto, gostaria de ter mais alguns anos de vida para ver este bairro crescer ainda mais".
A foto abaixo é do mesmo site e se refere a Maísa e família, no bairro.

 

Sítio: Por | Raízes &Folhas.



O Bairro em 2.010





REPRESENTANTES DA GRAPO VINDICANDO MELHORIAS PARA O BAIRRO JUNTO À CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO MIGUEL ARCANJO.

Notícias veiculadas no extinto jornal "A Hora de São Miguel Arcanjo" no ano de 1.993:






E no extinto "Jornal da Terra", em 1.997:




GENTE DO BAIRRO: HOJE
Fotos do site da GRAPO
















BAIRRO FAXINAL DOS ALMEIDAS


Santa Cruz protege seus moradores. A capela do bairro foi fundada em 03 de maio de 1.882 por um agricultor chamado Germino Paulino de Araújo. 
A área de terras pertencente a essa capela mede mais ou menos um quarto de um alqueire e comporta, além da capela, a escola primária e uma mangueira para rodeios. No entorno, uma dezena de casas residenciais, armazéns e um campo de futebol.
A primeira capela, segundo afirmam os mais velhos, foi construída por Rogério de tal por volta de 1.939; era já coberta com telhas mas tinha as paredes de barro. Esse terreno foi doado por Rogério e mais tarde incorporado ao que foi doado por Germino, e então a comunidade se empenhou na construção de uma nova capela bem maior.
No ano de 1.928, quem lecionava no Bairro era a professora Isaura Fogaça Vieira, cunhada de Cassiano Vieira, nessa época já viúva do professor Olegário Vieira.
Joaquim Ramos de Toledo lá se estabeleceu com sua máquina de descaroçar algodão – a primeira do bairro - no ano de 1.930.
Joaquim Teodoro montou seu armazém de secos e molhados e José de Araujo um botequim, pelo que na década de 60 já pagavam impostos devidos.
Outros bairros surgiram à época do nascimento de Faxinal, na demanda para Itapetininga, porém, não prosperaram, tais como Campo Grande e Mandiocal.
Neste último, localizava-se uma colônia japonesa liderada por Mário Ueda que acabou vendendo suas terras para a Vitivinícola Cereser S/A, do empresário jundiaiense, Comendador João Cereser que inclusive já havia comprado as terras da Fazenda Serra Velha de Nestor Fogaça, em 1.966.
A Fazenda Dom Bosco merece um capítulo à parte. Foi um modelo de empreendimento. Na década de 70, mais de cem pessoas moravam e trabalhavam nela. Os irmãos Delaqua dirigiam a fazenda que iniciou com a cultura de uvas para fabricação de vinho e maçãs, mais tarde, milho, feijão, algodão, trigo, reflorestamento, criação de gado, suinocultura, ovinocultura.
A Vitivinícola Cereser foi a pioneira no município; extensos e excelentes parreirais deram as melhores produções. Uma vez fundada a escola municipal nessa Fazenda, seus primeiros mestres foram Alice Arantes Galvão e Luiza de Jesus Válio. 
Na década de 90, residiam na Fazenda Dom Bosco quase 40 famílias, num total de 300 pessoas. Havia um centro comunitário com capacidade para 2.000 pessoas, uma igreja, do orago São João Bosco, uma Escola agora do Estado e um Pré. Possuindo cerca de 2.250 hectares, lá existia a Serraria e Carvoaria ‘Santa Clara’ que vendia seus produtos para várias indústrias paulistas. Mais de 50 fornos de carvão e uma olaria. O maquinário da Fazenda era de causar inveja a qualquer Prefeitura municipal de pequeno porte com seus 16 tratores, 8 caminhões, retroescavadeira, máquina de esteira, motoniveladora, oficina mecânica e funilaria.
A estrada que levava da sede ao asfalto foi feita por conta própria. Preocupada com a Ecologia, na Fazenda havia uma reserva de 30 hectares de mata natural com 16 macacos guaribas ou bugios, 12 açudes e até um pequeno bosque formado de canela preta, jatobá, peroba, pau brasil, plantas em processo de extinção.
No dia 13 de janeiro de 1.989, foi inaugurada a Capela dedicada a São João Bosco; o responsável pela obra e por sua manutenção chamava-se Sérgio Martins.
Através de João Cereser é que muitas famílias se instalaram em São Miguel Arcanjo e começaram a fortalecer aqui o plantio de uvas. Essas famílias vieram de Jundiaí, Vinhedo, Valinhos, Louveira, Indaiatuba, etc.
A escola do Bairro Faxinal, que leva o nome de ‘Professora Thereza M. C. Bodo Carvalho’, foi inaugurada em 23 de maio de 1.993, mas a lei que lhe deu nome só foi promulgada em 26 de novembro de 1.996 - Lei 9.424.
Por muito tempo teve um representante do bairro ocupando uma cadeira na Câmara de Vereadores de São Miguel, o José Alexandre Mendes.
Uva, melancia e gado leiteiro movimentam a economia local.
Até o ano de 1.996, existiu ali a Granja Santa Maria que funcionou durante algum tempo com sucesso. Cerca de trezentos frangos se produzia por dia. Mas o abatedouro mais próximo de São Miguel ficava em Tietê, a 120 quilômetros e a granja acabou fechando suas portas.
O Sítio Santo Antonio se manteve com estufa, leiteria e ovinocultura.
No ano de 2.000, havia 234 eleitores no bairro.

Notícia do dia 13 de dezembro de 2.011: A CAPIVARA

Ela apareceu no Bairro Faxinal dos Almeidas, terça-feira passada, e foi logo entrando na propriedade de dona Fernanda Aparecida de Moraes que nunca havia visto um bicho daqueles. 
O azar foi que os quatro cachorros da dona atacaram com fúria a intrusa e quase a matavam, não fosse a chegada dos vizinhos que conseguiram separar os bichos.
Após medicá-la, soltaram-na para o mato.
Essa, com certeza, não volta mais. 





BAIRRO DO FACÃO

O Bairro do Facão tem a proteção de Nossa Senhora de Fátima e é vizinho de grito do Bairro Faxinal dos Almeidas. Um dos filhos mais ilustres do bairro foi o professor Theophilo de Souza Carvalho, descendente do Tenente Urias Nogueira, nascido em 1.900.
Abrão Isaac Daniel teve lá seu armazém de secos e molhados e por longo tempo residiu no local. Tocava um instrumento musical chamado ‘argule’. Quando se encontrava com o patrício Antonio Bittar, a cantoria ia até altas horas da madrugada.

O Bairro está localizado a 15 quilômetros da sede do município.
Na década de 20, o professor Pedro Santos lecionava na Escola Masculina Rural do bairro. 
No ano de 1.930, a Escola já era Mista. Lecionaram no bairro, as professoras Nair Lara Brisola (1.933) e Esther Novaes Ribeiro (1.935).
Na década de 40, o casal Sara e Jabur moravam no lugar. O seu patrício Abrão Isaac Daniel possuía um armazém de secos e molhados.

No ano de 1.953, o Bairro foi alvo de uma grande queimada, conforme foi noticiado pelo jornal "O Estado de São Paulo", em data de 30 de agosto de 1.953, no seguinte teor:
"Lavra, neste município, há cerca de 15 dias, incêndio de grandes proporções, tendo recrudescido de violência nestes últimos 3 dias, por ação do vento noroeste.
O incêndio foi provocado por queimadas e atingiu numerosas propriedades agrícolas, como Fazenda Agropecuária, Fazenda Balboni e matas do Lajeado, Justinada, Alegre, Turvinho, Facão, Capão Rico, etc.
Os prejuízos são consideráveis, pois nestes últimos 3 dias o fogo atingiu pastagens, casas de lavradores e carvoarias".

Na década de 60, José Crivelari tinha lá sua carvoaria e José Batista dos Santos um armazém.
Na década de 70, o bairro era conhecido como Campo do Facão. Nessa época, Honofre Brandino residia ali e perdeu dois talões de ‘notas do produtor’, que mandou publicar na imprensa local.
Pela portaria 37, de 22 de junho de 1.970, foi contratado para lecionar na Escola Mista Municipal do Bairro o professor Policarpo Torrel Neto.
No ano de 1.994, a polícia estourou um grande desmanche de veículos.

"O FILHO MAIS ILUSTRE DO BAIRRO" 

Num pequeno sítio à beira do Ribeirão das Antas, no Bairro do Facão, em São Miguel Arcanjo, aos 28 dias de dezembro de 1.900, nasceu Theophilo de Souza Carvalho.
Como ele mesmo deixou escrito, e isso está impresso no extinto jornal ‘Folha de São Miguel Arcanjo’, edição do dia 11 de março de 1.972, de nosso acervo:------"Pertenço a uma árvore genealógica que deu a São Miguel Arcanjo muito de suas vidas. 
Os Souza Nogueira, Mariano, Terra, Fróes, Galvão, e outros de que não me lembro, formam os galhos dessa árvore frondosa que deu muitos frutos e onde penduraram meu nome em algum broto. 
Por isso, é com saudade que me recordo dos dias de minha infância na então Vila da Fazenda Velha, correndo despreocupado e de camisolão pelo largo da igreja de São Miguel onde fui batizado e onde deixei enterrado a ponta do meu cordão umbilical.
Muita gente tem vergonha de dizer que nasceu numa cidade pequena como a minha. 
Eu, porém, orgulho-me de dizer que sou são-miguelense. 
É bem verdade que fui registrado no cartório de Itapetininga, mas isto por uma circunstância fortuita que não me tira o direito à naturalidade. 
Sabem por que? 
Houve tempos na história desta minha terra em que as brigas políticas eram acirradas e até certo ponto violentas. E foi numa dessas que botaram fogo no cartório do registro civil e as chamas consumiram os arquivos que eram incipientes. 
Além disso, o serventuário da época, o ‘seo Toquira’ não era lá muito apegado ao seu ofício; ele tomava nota dos dados dos registrandos em qualquer pedaço de papel, recebia os dois mil réis dos emolumentos e depois não fazia o resto. 
De sorte que muita gente registrada naquela época, como eu, não encontrou jamais nenhuma anotação feita nos livros remanescentes.
Para que os leitores desta ‘Folha’ façam uma ideia de como muitos dos meus conterrâneos receberam a notícia do meu progresso, quando ainda estudava na Escola Normal, um sujeito escreveu certa vez num dos jornais que se editava na cidade, ao tempo de Luiz Válio: quem avera de dizê que o Tiorfo, aquele caboclinho do bairro do Facão, que andava de pé no chão e bodoque na mão, chegasse até querê sê perfessô’...
Era assim o negócio. 
O fato, porém, é que consegui ser professor, fiz a carreira toda do magistério e ainda continuo em franca atividade, a despeito da minha idade respeitável. 
Como eu, outros são-miguelenses que honram a sua terra natal, o professor Otávio de Almeida Bueno, dr. Vital Fogaça de Almeida e uma lista enorme de pessoas humildes que triunfaram na vida e elevaram bem alto o nome de São Miguel Arcanjo.
Antes de terminar este despretensioso comentário, quero congratular-me com o redator e o proprietário da ‘Folha de São Miguel Arcanjo’ e desejar que esse órgão de imprensa tenha vida longa em benefício dos interesses do nosso município.’

Theophilo de Souza Carvalho prometia lançar, na década de 70, um livro intitulado "Ferro Velho" que deveria conter entre outros, também este artigo a seguir, de sua autoria, intitulado "Sujeitinho Imbustero":

"Quando comecei no Magistério, minha primeira escola era no bairro do Pinhal, em Itapetininga. Nesse lugar havia poucos moradores.
Na sede do bairro havia uma capelinha, a venda do Pedro Lopes e uma casa onde funcionava a escola.
No fim de cada mês havia terço na capelinha. Ali se reunia, então, todo o pessoal do bairro.
Havia reza, briga, tiros, facadas e até alguma prisão. Isto porque sempre comparecia ali o famoso Belarmino Velho, um caboclo destemido, briguento e provocador.
Estava uma tarde na venda do Pedro Lopes, conversando com alguns de seus fregueses, quando ali surgiu a figura sinistra do Belarmino Velho. Adentrou o estabelecimento e, sem dizer adeus a ninguém, mandou encher um "martelo" de pinga, olhou para todos os presentes e depois dirigiu-se para mim:
- "Seja servido, perfessô!"
- "Muito obrigado" - respondi com delicadeza. "Não tomo bebida alcoólica, porque me faz mal".
- "Ara, que mar o que" - disse rindo. "Pinga é remédio. Beba!".
- "Obrigado, senhor... Eu não posso mesmo beber" - tornei.
- "Bebe, sim, senhor. Aonde já se viu alguém enjeitar das mão do Belarmino Véio?! Bebe ou conta pra que não qué".
Diante da fama do ofertante, achei melhor tomar um gole. 
E o fiz com enorme sacrifício, pois a pinga foi me queimando garganta abaixo, como se houvera ingerido uma dose de ácido sulfúrico.
Depois desse dia, não soube mais do desordeiro.
Também não voltei à vendinha do Pedro Lopes.
Num fim de semana, houve um casamento no bairro e fui convidado. 
Lá pelas tantas da noite, enquanto o pessoal dançava no terreiro, pois a casa era pequena e no seu interior só ficavam as mulheres e as crianças, a mãe da noiva serviu licor de canela a todos os presentes. 
Quando chegou perto de mim, ela falou-me, enquanto estendia a bandeja com alguns cálices vazios e apenas um cheio:
- "Seja servido, seo perfessô!".
- "Agradeço-lhe muito, mas não posso tomar bebida que tem álcool"- respondi, com toda delicadeza.
- "Mais é fraquinho este licor, tem pouca pinga" - insistiu a mulher.
- "Não quero mesmo, dona Liduína. Muito obrigado!".
E a mulher se retirou para dentro da casa.
Ali perto da porta em que me encontrava, ouvi uma voz de velha rabugenta que murmurava para outras mulheres ouvirem:
- " O perfessô diz que num bebe coisa que tem arco? Mentiroso! Como é que estrudia ele tava bebendo pinga c'o Belarmino Véio na venda do Pedro Lope!?
E, como ninguém dissesse nada, aprovando a sua malévola informação, deu um suspiro e acrescentou:
- "Credo! Que sujeitinho imbustero!".

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"DA JUSTIÇA" 
FAZENDA HORIZONTE BELO
Disponibilização: Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010 Diário da Justiça Eletrônico - Caderno Editais e Leilões São Paulo, Ano III - Edição 781
SÃO MIGUEL ARCANJO EDITAL DE 1º E 2º LEILÃO DO (A) EXECUTADO (A): MAIOR INDUSTRIA COMERCIO LEITE LT, SERGIO ANTUNES, GERSON ANTUNES E SERGIO ANTUNES JUNIOR, sito a Rodovia Santiago França, KM 111, Bairro do Facão, São Miguel Arcanjo/sP.
EXECUÇÃO FISCAL Nº05/1990-EF
O(A) Doutor(a) (nome), MM. Juiz(a) de Direito do Setor das Execuções Fiscais da Comarca de SÃO MIGUEL ARCANJO, DR. MARIO MENDES DE MOURA JUNIOR, na forma da Lei,...
FAZ SABER a todos quanto o presente edital virem ou dele conhecimento tiverem ou interessar, que nos dias e horários adiantes especificados, no local destinados as hastas públicas, atrio do Forum, localizado na Rua Bento França, 332, centro, São Miguel Arcanjo/SP., o leiloeiro oficial Sr. Douglas José Fidalgo JUCESP nº. 587 ou preposto a quem a ele indicar, levará a público pregão e venda e arrematação dos bens penhorados do executado abaixo transcritos(s).
Processo Nº.05/1990-EF
Exequente: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Executado: MAIOR INDUSTRIA COMERCIO LEITE LT, SERGIO ANTUNES, GERSON ANTUNES E SERGIO ANTUNES JUNIOR.

PRIMEIRO LEILÂO: 21 DE SETEMBRO DE 2010 (21.09.2010), a partir das 10:00 HORAS, lance mínimo de R$76.200,00 (setenta e seis mil e duzentos reais), a quem mais der ou maior lanço oferecer.
SEGUNDO LEILÂO: 13 DE OUTUBRO DE 2010 (13.10.2010), a partir das 10:00 HORAS, lance mínimo de R$76.200,00 (setenta e seis mil e duzentos reais), a quem mais der ou maior lanço oferecer correspondente a 60% da avaliação.
BEM(NS): 01 BOMBA CENTRÍFUGA SANITÁRIA, MODELO ZMK-1, COM CARCAÇA E TODAS AS PARTES QUE ENTRAM EM CONTATO COM O PRODUTO INOXIDAVEL, ACOPLADA A MOTOR ELETRICO BLINDADO, DE SAIDA DE 51 MM, 2 TUBOS EM AÇO INOXIDAVEL, MEDINDO, O PRIMEIRO, 0,15 MTS DE COMPRIMENTO COM 1NP/1N/2P E O SEGUNDO, 1,80 MTS. DE COMPRIMENTO COM 1NP/1N/1P, INSTALADOS NA FAZENDA HORIZONTE BELO; sendo depositaria BEATRIZ MARIA GUEDES COSTA ANTUNES, RG 18.107.653, sito a Rua Alceu Correa de Moraes, n. 116, Itapetininga/SP 

AVALIAÇÃO: referido(s) bem(ns) foi(ram) avaliado(s) em R$127.000,00 valor de (06.05.1997 FLS.422), que será(ão) devidamente atualizado(s) na ocasião do leilão.
Não consta dos autos nenhum recurso pendente e encontrando-se o bem livre de qualquer ônus. E, se licitante não houver o bem penhorado será levado a público pregão de venda e arrematação no mesmo local, dia 13 (TREZE) DE OUTUBRO DE 2010, a partir das 10:00 (DEZ) horas, cujo lanço não poderá ser inferior a (60%) sessenta por cento da avaliação para a segunda praça.
A arrematação far-se-á com dinheiro à vista ou no prazo de (15) quinze dias, mediante caução idônea. Para apregoar o bem foi designado leiloeiro em atenção à indicação da F.E.S.P., o Sr. Douglas José Fidalgo, registrado na JUCESP sob nº 587, no que será cientificado. Ressaltando também que, em caso de arrematação, a comissão do leiloeiro será equivalente à (5%) cinco por cento, a qual deverá ser arcada pelo arrematante (art.
23, § 2º. da L.E.F. nº. 6.830/80), sendo que o pagamento será realizado, em guia de deposito própria, a qual será levantada após a efetiva entrega dos bens; ficando certo que a comissão do leiloeiro não comporá o valor da arrematação, não cabendo devolução desta verba, no caso de desistência do arrematante; bem como, na possível interposição de embargos à arrematação pelo executado ou terceiros interessados, ou 2% (dois por cento) do valor da avaliação, em caso de adjudicação, acordo ou remissão. Ficando o executado intimado das designações supracitadas, caso não seja encontrado para sua intimação pessoal. Outrossim, de que se houver arrematação, fica desde já intimado de que têm o prazo de (05) cinco dias para oferecer Embargos à Arrematação, fundados em nulidade da Execução Fiscal ou em causa extintiva da obrigação, desde que superveniente à penhora, nos termos do artigo 746 do Código de
Processo Civil. Sendo que referido bem está depositado em mãos da depositaria BEATRIZ MARIA GUEDES COSTA ANTUNES, RG 18.107.653, sito a Rua Alceu Correa de Moraes, n. 116, Itapetininga/SP. E, para que chegue ao conhecimento de todos, expediu-se o presente edital que será publicado e afixado na forma da Lei.
Dado e passado nesta cidade de São Miguel Arcanjo, aos 14.06.2010. 


Esse pessoal era dono da empresa GALLUS, que ficou famosa no Brasil inteiro por suas falcatruas.
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BAIRRO DOS CASSUS


Este bairro não se encontra mais no mapa de São Miguel; desapareceu, como toda a comunidade que o construiu. Situado a leste do município, fazia limite com os Ferreirada, os Bento e com a Serra dos Agudos Grandes, divisa com Tapiraí. Distante cerca de 30 kms da sede, era a boca do sertão e teve como prováveis desbravadores e primeiros moradores Antonio Olímpio Cassu, Juventino Marcelino, Paulino de Almeida Bueno e Rita Maria de Jesus. Residiu lá também Gabino Martins, casado com Ester Borges, filha do Major Manoel Augusto Borges, do Guararema, e que acabou vendendo suas posses a outro Cassu, João, grande agricultor, pecuarista e criador de porcos.
Além do cultivo do feijão, do fumo, da cana e da batata doce, a grande riqueza do bairro era mesmo o carvão, explorado pelo Jabur, pelo Camilo Moisés, pelos Fogaça e até que empregava muita gente.

Devido à proximidade com o sertão, fazia-se extração de palmito, abastecendo toda a zona urbana, naquela época sem restrições.
Na década de 40, os Cassus fizeram construir uma capela em homenagem a Nossa Senhora das Graças.
Rita Maria lá possuiu um armazém. Enviuvando, veio
a casar-se com um filho adotivo. E pensando mesmo em alguma coisa progressista para o bairro, construiu um cômodo pegado a sua casa para sediar uma escola, a Escola Mista Municipal do Bairro dos Cassus. Até um pacto foi selado para a formação de uma classe: alunos entre 20 e 25 anos, e analfabetos, tiveram suas idades diminuídas para 14 anos, a fim de tornar possível o sonho de Rita Maria.
A Escola Mista Rural Municipal foi criada em junho de 1.962, bem como o cargo de professor, com a remuneração anual de 10 mil cruzeiros.
Algumas professoras que para lá foram designadas sofreram muito; havia perigo de morte provocada por animais selvagens. E o caminho arenoso dificultava quando dos seus ataques.
Principalmente quando se fazia o trajeto em duas rodas, e o perigo de despencar grotas abaixo era iminente .
Lecionaram no bairro perdido as professoras Amélia Coelho, Maria Perpétua Nogueira de Almeida, Tereza Ponciano e Maria Elena Pinheiro de Góes, esta, no ano de 1.975. 
São de lá os descendentes da Roberta, do Laurindo, do João, do Cecílio, este casado com a neta de Rita Cassu. 
Também de lá os descendentes do Miguel Paulino, do Antenor Baiano, do José Carlos, da Creusa, dos irmãos Eva e Adão.
No Retiro tem Cassu.
No Turvo dos Hilários tem Cassu.
Assim como o carvão se acabou, o bairro foi inundado por um imenso mar de eucaliptos da famosa Klabim.
A mata nativa?
Quem chora por ela hoje em dia?


BAIRRO DA COLÔNIA PINHAL

Distante cerca de vinte e dois quilômetros da sede do município de São Miguel Arcanjo, situa-se a 170 km a sudeste da cidade de São Paulo. 
É uma colônia japonesa localizada próximo à Serra do Mar, entre as cidades de Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo, como os moradores gostam de afirmar.
Em 1.962, a JICA pôs em ação um plano de colonização deste local. Trazendo três famílias oriundas da província de Fukui, que mais tarde foram acrescidas com várias outras famílias de diversas outras províncias japonesas. Ao todo, cerca de 54 famílias colonizaram esta região.
A pluviosidade anual do local é de 1.150 mm e a temperatura média anual é de 18,5 graus, formando um clima propício ao cultivo da uva, do caqui, da pêra, sendo a uva Itália a maior fonte de renda.
O governador da Província de Fukui esteve na Colônia Pinhal no dia 19 de junho de 1.998, em comemoração aos 90 anos da imigração japonesa no Brasil. 
Após ter soltado sua voz num animado karaokê no Clube Kai Kan lá situado, o governador fez um magnífico discurso assim traduzido: 
-------“ Agradeço de coração esta oportunidade de poder cumprimentar a todos os senhores presentes nesta manhã e com muita alegria retorno a esta colônia Fukui, onde estive em 1.992, por ocasião dos festejos de aniversário de 30 anos desta Colônia. Relembramos o início da Colônia Fukui em julho de 1.957 e posteriormente a chegada das famílias de Yukio Ota, Shigueru Okawa e Seiiti Deguti em dezembro de 1.962; desde então, esta Colônia tem prosperado magnificamente até a presente data. Este desenvolvimento ocorreu graças a perseverança destes imigrantes que superaram as dificuldades provenientes das diferenças de cultura, costumes e clima. Nós do Japão nem sequer conseguimos imaginar como foi este sofrimento. Aproveitando este ensejo, em nome da Província de Fukui, venho com muito respeito apresentar os meus sinceros agradecimentos e minha admiração pelo trabalho dos senhores. Como Província de Fukui, também nos esforçamos ao máximo para colaborar com esta Colônia. Ajudamos na construção deste Kaikan e na aquisição dos bens necessários ao seu funcionamento. Cooperamos na construção da Escola Modelo de Língua Japonesa e equipamos a mesma com todos os materiais didáticos necessários ao seu bom desempenho. Desde 1.980, estamos recebendo estagiários brasileiros em nossa Província. Neste ano, recebemos oito deles, sendo que todos passam bem e estão se esforçando nos estudos. Queremos que estes jovens assimilem a nossa tecnologia de ponta, considerada uma das melhores do mundo e vejam como ela tem influenciado no progresso do Japão. Outro objetivo é fazer com que eles conheçam a terra dos seus antepassados, isto é, a Província de Fukui, e que estes estagiários, retornando ao Brasil, possam ajudar no seu progresso e bem estar legal. Apesar dos esforços da Província de Fukui para ajudar esta Colônia, não podemos esquecer daqueles que derramaram seu suor e lágrimas nesta terra e hoje já são falecidos. Que Deus permita que suas almas descansem em paz. Que os senhores consigam vencer os futuros obstáculos com a coragem, o pioneirismo e a tenacidade característica do povo de Fukui. Ao finalizar, deixo aqui os meus votos de muita saúde e felicidade a todos os presentes. Que esta Colônia prospere cada vez mais, dentro deste imenso Brasil que tem potencial para ser líder mundial no século XXI.”
FAMÍLIAS DA COLÔNIA:
As famílias da Colônia Pinhal: Ariga, Azuma, Enta,Fukazawa, Fukuda, Furuda, Furuga, Furusha, Hata, Hayashi, Higushi, Hirosi, Homma, Ichise, Ito, Konai, Konegoni, Kawakami, Kida, Kishino, Kitatani, Nakamura, Nakano, Nakazawa, Nishikawa, Oshi, Okawara, Orashi, Ota, Pereira, Sakajiri, Shinozaki, Tanaka, Venuma,Yamada, Yamashida.
O cultivo da uva, hoje símbolo do município de São Miguel, foi iniciado em 1.957 pelo japonês Massuto Fujihara, que passou seus conhecimentos aos seus descendentes e demais filhos da terra.

Em 08 de junho de 1.973, o prefeito de São Miguel Arcanjo requereu ao Governador Laudo Natel o que segue: 

"A Fazenda Pinhal deste município congrega em toda sua extensão agricultores japoneses que a cultivam intensamente radicados em pequenas glebas onde residem com suas famílias.
A esse conjunto de japoneses laboriosos deu-se o nome habitual de Colônia Pinhal, que tem um núcleo residencial expressivo com Escola, Centro social e Armazém cooperativo.
A importância desse agregado agrícola, especialmente fruticultor, está na produção intensa e na contribuição da Colônia às atividades educacionais representada que é por elevado número de alunos da sua população infantil.
Para o Centro Social dessa Colônia Pinhal, em benefício de toda a numerosa população de menor idade e de escolares, é que estou com empenho pedindo a V.Excelência um conjunto de parque infantil a ser ali instalado, como doação e notável contribuição da Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo, em convênio municipal.
Estou certo de que virá a ser possível essa contribuição e presença festiva do Governo de V. Excelência aos nossos pequenos da Colônia Pinhal e antecipo à Secretaria doadora e a V. Excelência os melhores agradecimentos, renovando na oportunidade a afirmação leal da nossa mais alta estima e maior admiração.
José França,
Prefeito Municipal."

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Com a ajuda ainda da JICA, foi concluída em 1.997 a nova Escola de Língua Japonesa. Sendo uma escola modelo, há grandes expectativas quanto ao seu funcionamento. Além de aulas para crianças, há aulas para adultos, tênis de mesa, futebol, vôlei, canto coral, dança e muitas outras atividades.
O Kaikan é a sede do Bunkio (clube dos senhores), do Fujinkai (clube das senhoras) e do Seinenkai (clube de jovens). Nele são realizados eventos culturais e esportivos. Pode-se citar karaokê, tênis de mesa, vôlei, dança, futebol, guetobol, reuniões, festas. Praticamente todos os japoneses e descendentes são associados e freqüentam o Kaikan. O Seinenkai possui dezenas de associados entre 13 e 30 anos. O Kaikan participa de eventos que integram os Kaikans de outras cidades. 

O casal mais antigo da Colônia, Hikoe e Chioka Nakamura, que inclusive fazem poesia japonesa, foram homenageados em 1.998 como o casal de pais mais velhos da Colônia. Ela, grande artista, confecciona muitas esculturas de barro e pinturas e, por não conseguir ficar quieta, leva o apelido de ‘formiguinha’.
A Kumiai, ou melhor, a Cooperativa Agrícola Sul- Brasil de São Miguel Arcanjo, sociedade civil sem fins lucrativos, foi fundada em 14 de fevereiro de 1.969, sendo filiada à Cooperativa Central Agrícola Sul-Brasil. Tinha inicialmente 37 associados. Em 10 de setembro de 1.988 foi inaugurado o novo prédio, construído pela Cooperativa Central. Atualmente ela não é mais filiada, mas continua funcionando; tem 56 cooperados e emprega 5 funcionários. 
Os objetivos dessa Cooperativa são: a comercialização em comum das produções agropecuárias que forem entregues pelos cooperados; a aquisição de insumos, bens e artigos necessários às atividades agropecuárias, gêneros alimentícios, artigos domésticos e outros de consumo pessoal a serem fornecidos aos cooperados; recebimento, beneficiamento, padronização, classificação, embalagem, armazenamento, transporte, produção de insumos modernos, industrialização e assistência técnica agropecuária, de forma a atender quali-quantitativamente a demanda dos cooperados. Essa Cooperativa possui um mercado que atua como ponto de encontro dos cooperados e moradores da Colônia Pinhal. Também existe na Colônia Pinhal uma Biblioteca (Tosho-kan), a maior do país em língua japonesa. 
Contando com um acervo de mais de 150 mil títulos, ocupa um amplo prédio de tijolo à vista, cercado por um jardim oriental. O prédio ocupa 12 hectares e tanto o terreno como a construção e o acervo foram presentes do empresário japonês Tetsuto Amano. O núcleo formou-se no início da década de 60, quando os japoneses começaram a ter sucesso com o cultivo da uva Itália. O doador gastou cerca de 20 milhões de ienes, o equivalente a 180 mil reais na obra. Muitos dos livros foram doados por japoneses residentes em outros países. Metade dos livros estão disponibilizados aos visitantes. A outra metade está guardada à espera da construção de uma biblioteca no Bairro da Liberdade, na capital paulista. Nem todos os descendentes dos japoneses se interessam pela língua dos seus antepassados.
Apenas dez por cento deles aprendem japonês.A escola da Colônia Pinhal homenageia Massanori Karazawa, um dos primeiros habitantes do local. Ele foi escolhido pelo governo japonês para ser presidente da Cooperativa. Foi ele também quem dividiu as terras e distribuiu-as aos japoneses. A escola tem cerca de 400 alunos e 18 professores. O prédio novo foi inaugurado em setembro de 1.990, mas já funcionava há bastante tempo.

NOTÍCIA POLICIAL:

EM 01 DE MAIO DE 2004, A ESCOLA DO BAIRRO FOI DESTAQUE NO EXTINTO JORNAL "A HORA DE SÃO MIGUEL ARCANJO"


























NOTA POLICIAL DE 2009
No mês de agosto do ano de 2.009, um domingo, de madrugada, a Escola Massanori Kavasawa foi arrombada. O invasor destruiu a caixa de controle do alarme e furtou doze computadores novos que a escola acabara de ganhar.
No ano anterior, especificamente em 13 de dezembro de 2.008, também foi lavrado BO na Polícia local. 
Disse a Coordenadora da Escola Estadual do Bairro que, ao adentrar na escola, notou que todas as portas estavam arrombadas e também na escola municipal. Os ladrões cortaram a cerca dos fundos da escola, fizeram uma bagunça, furtaram uma TV 29', da marca LG e um rádio portátil da marca Britânia.
A outra testemunha disse que era a responsável pela escola municipal e que na madrugada, através de um corte da cerca dos fundos, pessoas desconhecidas mexeram em tudo na escola, arrombaram todas as portas e levaram um monitor 17´ da marca LG e um CPU AMD Semprom 2800.
Os objetos dos furtos foram localizados na extensa mata que ficava atrás da escola.

BAIRRO CERRADO DOS TOUROS.


Uma das maiores tradições do lugar é a festa em louvor a Santa Cruz, que tem como ponto alto, as romarias de cavaleiros no mês de agosto.

No dia 04 de novembro de 1.973 foi inaugurada a eletrificação rural nas propriedades de José Mussim e José Rolim Pinto. Na inauguração, todos os presentes foram agraciados com um churrasco muito bem regado a chope que foi servido a granel.
A notícia foi dada no jornal ‘Folha da Baixada’, edição de 18 de novembro de 1.973.

Crime ambiental

No mês de maio de 2.004, a Polícia Ambiental encontrou, após receber denúncias, 4 pichochós, 4 sabiás, 3 canários da terra, 2 azulões, 1 coleirinha e 1 pintassilgo, todos eles presos em suas respectivas gaiolas, bem assim, armas, munições, armadilhas, alçapões, pios de caça, redes, etc. 
O dono do passarinheiro era Mauro Vieira Demétrio, que evadiu-se.




BAIRRO DE CAPÃO RICO


Nossa Senhora da Penha é a santa padroeira do lugar. 
Uva, batata, feijão e gado de corte movimentam a sua economia.
Dista cerca de 6 quilômetros da sede do município.
Morador no bairro por 18 anos, o Vitalino Brisola, filho de Vitor do Nascimento Brisola e Maria Ferreira de Queiroz, foi um feliz proprietário de carvoaria na localidade. 
Vitalino nasceu em 28 de setembro de 1.916 no município de Capão Bonito; em São Miguel serviu a igreja católica durante quinze anos, de coroinha a sacristão, de varredor de chão a batedor de sino e até aprendeu as manhas para ornamentar o templo e a fazer velas com o Leôncio de Góes. 
Como ele mesmo diz, aquele tempo era um tempo de fiéis, realmente.





No ano de 1.953, o Bairro foi alvo de uma grande queimada, conforme foi noticiado pelo jornal "O Estado de São Paulo", em data de 30 de agosto de 1.953, no seguinte teor:

"Lavra, neste município, há cerca de 15 dias, incêndio de grandes proporções, tendo recrudescido de violência nestes últimos 3 dias, por ação do vento noroeste.
O incêndio foi provocado por queimadas e atingiu numerosas propriedades agrícolas, como Fazenda Agropecuária, Fazenda Balboni e matas do Lajeado, Justinada, Alegre, Turvinho, Facão, Capão Rico, etc.

Os prejuízos são consideráveis, pois nestes últimos 3 dias o fogo atingiu pastagens, casas de lavradores e carvoarias".


Joaquim Rodrigues dos Passos, na década de 60, lá pagava impostos como comprador de gado.
Rufino Macedo, casado com dona Cecília também era do Bairro.
A história dele, passamos a contar:

RUFINO MACEDO OU
"COMO SE MATA UM BRAVO"



Chamava-se Rufino Macedo.
Morador no Bairro do Capão Rico, em São Miguel Arcanjo, era lá agricultor e tinha muitas posses.
Na despensa de casa, do piso até o teto, uma sacaria que dava para saciar a fome de todos os soldados da guerra de 32.
No quintal, cabritos, galinhas e porcos passeavam, brigando entre si.
Na invernada, o gado pacientemente engordava.
Rufino, por essas e outras coisas, era um homem brioso e de muita fibra.
Sentia um baita orgulho do próprio nome.
Era comum vê-lo cumprindo promessas em Iguape.
Quando para lá se dirigia, levava sempre a mulher, dona Cecília.
Na volta, era só festa.
Ninguém passava fome estando ao lado de Rufino Macedo.
Como todas as pessoas, ele também tinha seu bicho de estimação.
Era a mula Dengosinha.
Por todo lado, sempre levava a mulinha; não montado nela, mas a sua frente.
Aonde ele precisasse chegar, ela conhecia o caminho e sempre chegava na frente dele.
Um dia de sexta-feira, Rufino precisou comprar querosene para usar na fazenda.
Os lampiões estavam secando e, quando isso acontecia, dona Cecília ficava brava.
A mula na frente, ele atrás, com o Bainho, admirando o horizonte.
Uns dois quilômetros e já estaria na venda do Nhonhô Fogaça.
De repente, não viu mais a mula.
Apressou o cavalo e viu que uma mulher já havia aberto a porteira do Antão Rodrigues para a Dengosinha e corria atrás dela.
Esporeou o cavalo.
Quanto mais ele corria, mais a mulher corria pensando que ele corria atrás dela.
Tanto que denunciou o fato ao Inspetor de Quarteirão que lhe deu um pito tão grande que fez com que o homem se tornasse de novo em um rapazinho.
Uma calúnia!
Uma vergonha!
Nunca mais Rufino Macedo foi o mesmo.
Passava os dias taciturno, macambúzio. Parecia até tecer um plano, ele que nunca foi vingativo.
Os romeiros se aprontando para a caminhada a Iguape.
Rufino também. Só que desta vez não levaria dona Cecília e nem tinha promessas para cumprir.
Diante do santo, orou muito, chorou as mágoas guardadas no peito, pediu perdão pelas coisas que nem fizera na vida.
A certa altura do caminho, entrou na mata para esvaziar as tripas e nunca mais regressou.
Encontraram Rufino morto com o pescoço enleado num cipó.
Deus o tenha, Rufino Macedo!

- Transcrito do livrete "Causos e Conformes", Editora Trombetti, 2.010, idealização Ascasma.