quinta-feira, 8 de março de 2012

CAUSOS DA TERRA: PISADAS DE SÃO TOMÉ.


                                          

Já localizadas no mundo todo e também no Brasil, principalmente em São Vicente, em Itapoá, em Itajuru, em Grojaú de Baixo, na maioria das vezes bordadas nas pedras, diversas pegadas que dizem ser de São Tomé que, após abraçar a religião cristã, andou pela terra, atravessando oceanos e florestas. 
Às vezes um par de pés completo, às vezes um pé só... 

Os indígenas que habitavam as margens do Rio Paranapanema já diziam que um tal de Pay Zomé predissera aos seus antepassados que toda aquela gentilidade haveria de um dia se estabelecer em povoados por obra de certos homens que levariam a cruz diante de si, o que afinal se realizou com a fundação de Santo Inácio e Loreto e alguns outros na região do Guairá, tal como descreve o escritor Sérgio Buarque de Holanda na sua obra intitulada ‘Visão do Paraiso’. 
Moradores antigos de bairros próximos ao Rio Taquaral e mesmo o Turvinho, localizados em São Miguel Arcanjo, ouviram dizer e até viram dessas pegadas nas pedras como em todos os lugares. 
Uma dessas pegadas encontra-se às margens da Cachoeira do Macaco Branco. 
Um pé só.Um pé grande. 
Está lá para quem quiser ver. 
Se não for de São Tomé, de quem terá sido?? 



CAUSOS DA TERRA: CADÊ OS PASSARINHOS?




Como bem lembra o João Diniz, com o tempo, até as aves se cansam de viver no mesmo lugar e partem em busca de outros ambientes um pouco mais alegres e coloridos. 

Prova disso, os ‘sem-fim’. 
São Miguel Arcanjo, algum tempo atrás, fora morada de uns passarinhos conhecidos por ‘sem-fim’. 
Geralmente de cor pardo-amarelada, eles apresentavam manchas escuras nas asas e um topete avermelhado. A garganta e o abdome eram brancos, as sobrancelhas da mesma cor e costumavam colocar seus ovos em ninhos de joão-teneném. 
Algumas pessoas chamavam esses passarinhos de piririguás, outras de fenféns, tempos-quentes...Todavia, ficaram bastante conhecidos como ‘sem-fim’, pois o seu canto era parecido com essa expressão. 
Embora muita gente ouvisse nitidamente eles gritarem ‘sem-fim’, outras juravam que não era nada disso e, sim, ‘sa-ci’ o que eles diziam. 
Sem-fim ou saci, qualquer que fosse o canto dessas aves, o certo é que já não se ouve mais por aqui. 
Conta o João Diniz que eles faziam a festa mesmo era no taquaral do Francisco Cavacini. 
- ‘Era tão bonito de ouvir!’ – suspira o João Diniz a cada vez que se lembra deles. 
Casadinho de novo, João morava longe, lá na saída para Pilar do Sul onde hoje reside a família Mendez que lhe paga aluguel. 
Trabalhando como ajudante na serraria do Wadi Hakim, muitas vezes voltava tarde para casa. 
Até que uma noite... 
Era uma sexta-feira. Mês de agosto. Teve festa na Vila e ele, como bom vicentino que era, pôs-se a auxiliar o pessoal da quermesse e depois na limpeza geral. Quando resolveu ir embora, era mais de onze e meia da noite. 
Acompanhado do Nicanor Monteiro, apelidado de Beronha, um cabra medroso pra mais de metro, lá foram os dois, pisando depressa pela estrada de terra. 
-‘ Ainda bem que não choveu!’ – asseverou o João. 
De repente, um barulho no mato. Passos. Corrida. 
O que? 
Pelo rabo dos olhos eles puderam ver: 
-‘Credo, Beronha, os cavalos do Cavacini pastando de noite?’. 
Noutro repente, uns assobios. 
- ‘Devem ser dos passarinhos, dos ‘sem-fim’, ou dos ‘sacis’. 
Mais assobios. E ali pertinho. 
Não, não eram de passarinhos. Pareciam assobios de verdade. O Beronha a ponto de desmaiar. 
O João? Nem sabia por onde andavam as calças, muito menos as pernas. Eta, macho! 
Nesse instante foi que os cavalos desembestaram. E os dois homens também. Não antes de verem, montado em cima de um deles, um vulto preto, pequeno, lascando fogo de um enorme cachimbão preso na boca. 
O Beronha só olhou para o João Diniz...este acabou encontrando as próprias pernas e ambos debandaram a correr mais do que os cavalos do Cavacini. 
Depois dessa noite, a mulher do João passou a ver o marido em casa antes da lua aparecer no céu. 
Sempre achou que era por amor.